Cursos Intensivos de Línguas

(C) Expresso, Suplemento Emprego, edição n.º 1757, 1/07/06

O artigo que aqui se reproduz aporta algumas questões que convém debater num espaço de ensino de línguas que não pertence já unicamente às escolas públicas dos vários graus de ensino, no nosso caso em particular, às Instituições de Ensino Superior.

Como sabemos, tem crescido esponencialmente um mercado de trabalho cada vez mais livre, cada vez mais internacionalizado. Como já referi num post anterior, as Universidades não têm acompanhado este progresso para uma espécie de globalização da oferta de educação que se alarga também ao e-learning. Infelizmente em meu entender, quando vemos campus universitários estrangeiros crescerem cada vez mais, apostando nos alunos estrangeiros, quer através do Erasmus, quer oferecendo licenciaturas de base, internacionalmente reconhecidas. Por outro lado, o processo de Bolonha, e sua implementação no espaço europeu, pode favorecer a livre circulação de estudantes, algo que não tem sido bem clarificado no debate sobre a restruturação.

Mas voltando ao artigo.

O mercado de trabalho exige, actualmente, que os quadros médios e superiores das empresas portuguesas ou estrangeiras a operar em Portugal saibam mais do que a sua língua materna, e que saibam mais do que uma língua estrangeira.

Não obstante, os cursos de línguas oferecidos, continuam, na sua grande maioria, a ser « livres », não especializados, não interligados com o mundo empresarial e hoteleiro, que através de parcerias com as Universidades poderiam abrir um mercado de formação dos seus empregados na área de línguas estrangeiras e, claro está, materna.

Os cursos de línguas existentes continuam a funcionar em muitos casos devido à carolice dos docentes, pela sua paixão à divulgação de uma língua e cultura estrangeira que consideram também sua. Trabalho, na maior parte dos casos, não remunerado e não reconhecido para fins de progressão na carreira. Os cursos funcionam em horários pós-laborais, durante o ano lectivo, sem parcerias com as empresas, não se especializando, claro está, em determinadas áreas da comunicação humana, por não existir essa necessidade. Apenas se assiste a um crescimento da oferta do Português como Língua Estrangeira, em cursos de verão, que, a nosso ver, tem registado francos sucessos.

O mercado de cursos de línguas especializados, é, habitualmente, apenas aproveitado por instituições privadas, especializadas no ensino de línguas. As universidades e politécnicos, públicos e privados, como sabemos, pela exigência de formação do seu corpo docente e por, geralmente, contratarem falantes nativos (ou bilingues) das línguas ensinadas, podem fornecer elevados graus de qualidade e exigência, concorrendo de forma segura com essas instituições.
Cabe, então, às universidades e politécnicos criar grupos de trabalho que contactem as empresas (secundárias e terciárias), que estudem parcerias e que criem os cursos.

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