Professor tutor

Segundo o Diário de Notícias de hoje (23/02/2007), o diploma que consagra a figura do professor tutor, vulgo professor único, foi ontem publicado em Diário da República. O diploma torna possível « habilitações conjuntas para a docência – combinando o ensino do pré-escolar e do 1º ciclo ou os dois primeiros ciclos do básico, do 1º ao 6º ano. »
Pois é, vamos ter educadores a ensinar na primária!(?)

Criticado por todos, sindicatos e professores (e pais) esta forma de legislar avulsa deu mais este fruto. Agora veremos como vai ser implementado.

Falta agora saber pormenores… mas bons caminhos para melhores aprendizagens não me parece que daí soprem.

JGuerra

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Professor único

Temos sindo prendados com afirmações esparsas, descontextualizadas… diria que quase como se quisessem semear a discórdia.

O ME tem-nos habituado a isso, infelizmente!

A essas afirmações reagem logo sindicatos, professores e alunos e encarregados de educação (quando a comunicação social lhes dá essa possibilidade), a quente, sem pensar… protestando apenas por protestar, porque é o papel deles, porque se não fosse para isso não valeria a pena estarem a dirigir sindicatos, etc.

Pois bem!

Embora reconheça que parece ser mais uma manobra, um discurso que geralmente assenta num vazio teórico-metodológico, porque não reflectido convenientemente, a ideia teria possibilidades de ser boa, desde que acabassem então com o segundo ciclo do ensino básico.
Vejamos. Em França, por exemplo, o primeiro ciclo é de cinco anos, o college, nosso 3º ciclo, é de quatro e o Liceu de três, acabando com um exame prestigiado, sem o qual muitos empregos são vedados aos estudantes. Na primária, os alunos têm um professor por ano, sempre diferente. Um professor é colocado para um determinado ano de ensino, e, de certa forma acaba por se especializar nele, em termos científicos e metodológicos. existe, ainda, uma progressão entre anos, com certeza pensada e estruturada entre os vários professores, de acordo com os programas em vigor.

Em Portugal não sei se existiria mudança efectiva de práticas. Não tenho, inclusive, nenhum pudor em dizer que provavelmente continuaria a ser tudo igual, mudando apenas o figurino do currículo. Convenhamos que, ao ME, esta medida permite-lhe poupar bastante dinheiro… até porque as formações avançadas que os professores devem realizar para pdoer entrar no sistema serão às custas dos mesmos e não do ministério. Para além disso, parece-me que seriam uns quantos funcionários docentes a menos.

Espero que não seja mais uma daquelas medidas que se quer a todo o custo implementar no nosso país apenas porque resulta noutros, sem olhar a contextos. Relativamente ainda ao caso de francês, o próprio concurso de colocação de docentes é substancialmente diferente do nosso e as formações profissionais também, tal como nos restantes países onde virgoa o professor único. Professor único, convenhamos, que apenas existe no sistema do 1º ciclo.

Vejamos o que acontece a seguir.

(c) Tela atribuída a Claude Lefebure, « un precepteur et son élève »
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