evoluções no papel do professor

No passado, a educação baseava-se numa pedagogia autoritária, baseada sobre a figura do « professor ditador », detentor de todo o saber. Actualmente, procura-se adoptar uma pedagogia mais flexível, capaz de respeitar o aluno enquanto ser humano, enquanto indivíduo uno e diferente do colega de carteira, respeitando as suas necessidades comunicativas na gestão do processo de ensino.

No passado, o ensino favorecia as noções de Estado, religião e família e o professor era considerado como um templo de saber. Hoje em dia, o professor adquire o papel de gestor do processo de ensino-aprendizagem, com vista a estabelecer a relação entre o aluno e o saber como eixo principal das aprendizagens.

(Nota: Estas afirmações baseiam-se em algo que li há já algum tempo e não me recordo de onde.)

Quem somos, como nos formámos e formamos?

Caros colegas,

no âmbito de uma investigação associada ao Centro de Estudos em Linguística e Literatura (CELL), do Departamento de Línguas, Comunicação e Artes da Universidade do Algarve, procuro caracterizar a população docente de Línguas Estrangeiras, bem como os seus percursos formativos.

Este trabalho permitirá, entre outros, conhecer melhor a população de professores, bem como, e diria essencialmente, as suas necessidades em termos de formação científica e profissional, permitindo adequar os cursos de formação às reais necessidades dos docentes.

Esta motivação resulta, em parte, do sentimento de insatisfação que me é frequentemente transmitida relativamente aos escassos cursos de formação que surgem, principalmente na área de influência da Universidade do Algarve.

Assim, embora a população que poderá, no futuro, colher frutos imediatos dos resultados obtidos seja desta região, a divulgação posterior deste estudo em congressos e na publicação do relatório final permitirá, espero, uma provável reflexão dos centros de formação associados a escolas, Associações de Professores, etc.

Apelo, assim, a uma ampla participação de modo a reflectir aquilo que os restantes professores necessitam em termos formativos.

Peço-lhe, por conseguinte, que me dedique 10 minutos do seu tempo respondendo ao questionário.

Basta para isso clicar no link: A Formação em Questão

Agradeço, desde já, a Vossa participação.

Assim que possível publicarei aqui uma parte dos resultados preliminares.

Formação em Português Língua Não Materna (PLNM)

Acabei há dias uma formação organizada pelo Ministério da Educação (ME) em Projecto de Investigação-Acção em Ensino do Português Língua Não Materna (PLNM).

Julgo que a primeira questão que se coloca prende-se com a designação da acção, nomeadamente quanto à justificação epistemológica por se preferir PLNM e não a expressão comummente usada, a de língua segunda (L2).

Na verdade, a definição do conceito aqui pouco importa. De facto, no entender do ME, PLNM é semelhante a PL2 (Português Língua Segunda). Isto é, em traços largos, uma segunda língua materna que se aprende em contexto de imersão, por motivos socio-económicos ou culturais. Em nossa opinião, é a designação que se torna infeliz. De facto, basta efectuarmos uma pesquisa para verificar-mos que PLNM se refere apenas a páginas portuguesas, ligadas directa ou indirectamente ao ME. Em termos internacionais, é um conceito vazio de sentido, ao contrário do ensino da L2, seja ela qual for.

Não obstante, a formação era de facto necessária. De facto, as escolas portuguesas têm progressivamente recebido cada vez mais alunos oriundos de variadíssimos países de diferentes continentes, desafiando os professores quer quanto aos seus conhecimentos de conteúdo, quer relativamente à conhecimento didáctico de conteúdo.

Ensinar uma Língua Materna (LM ou L1) não é a mesma coisa que ensinar uma L2. Existem diferenças na  maneira de adquirir língua (características intrínsecas aos sujeitos), como ao nível dos conteúdos e organização dos mesmos (factores extrínsecos ao ensino).  Um professor formado, por vezes há vários anos, para ensinar Português enquanto LM, terá dificuldades em encarar essa mesma língua enquanto L2 ou LE. O público é diferente, os conteúdos e métodos também.

Dificuldades que esta formação procurou suprir, na medida do possível. Faltou-lhe, em nosso entender, falta de visão. Com efeito, sendo um projecto de investigação-acção, a formação deveria ter ocorrido ainda durante o ano lectivo, e não no fim, ou, melhor ainda, no início do mesmo, sendo os docentes acompanhados pelos formadores na implementação do projecto. Um projecto desta natureza procura objectivar e fomentar práticas reflexivas, algo que é impossível em 15 dias de formação.

Os formandos realizaram o trabalho possível, aprenderam aquilo que era possível, treinaram/discutiram/reflectiram o possível. Ainda assim, todos consideraram a acção de formação bastante positiva. desenvolveram conhecimentos e técnicas no âmbito do ensino do PL2. Treinaram práticas de diagnóstico e de planificação. Aprenderam a identificar problemas e modos de os enfrentar, recorrendo a projectos de investigação-acção.

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