Sielp2018 – Dificuldades e desafios de um professor de Português Língua Estrangeira em Portugal – Resumo da comunicação

Segue neste post o resumo da comunicação individual e o anúncio do programa definitivo que podem consultar aqui

Dificuldades e desafios de um professor de Português Língua Estrangeira em Portugal

Resumo:Este artigo tem por objetivo levantar alguns dos problemas com que os docentes de Português Língua Estrangeira se debatem quotidianamente na sua prática pedagógica. Procuraremos, a partir da experiência adquirida enquanto docente de Português Língua Estrangeira e investigador em didática das línguas, e dos contactos mais ou menos formais que se foram estabelecendo com outros professores e investigadores ao longo dos anos, abordar questões que têm gerado problemas no contexto da prática pedagógica (e.g.elaboração de programas, recursos impressos, escolhas metodológicas) e que, na nossa opinião, não têm recebido a devida atenção, nomeadamente por parte das editoras. Convocaremos igualmente o campo teórico e metodológico da Didática do Português, dado o interesse que a área do ensino do Português enquanto L2 tem despertado nos últimos anos. Abordaremos temas como os programas e referenciais oficiais para o ensino do português enquanto língua estrangeira, os recursos textuais (manuais editados em Portugal para uso no ensino e na aprendizagem do Português Língua Estrangeira, por exemplo), a adequação aos níveis de proficiência do Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas (Conselho da Europa, 2001), os conteúdos linguísticos e as escolhas metodológicas dos manuais ou programas oficiais. As linhas de reflexão apresentadas pretendem ser desafiadoras e provocadoras para a reflexão didática em torno do ensino do Português Língua Estrangeira, no sentido de incitar ao debate sobre questões teóricas e metodológicas, que na minha opinião continuam insuficientemente investigadas, permitindo melhorar a formação dos professores e a aprendizagem dos alunos de português, seja em contexto de língua de herança, língua segunda ou língua estrangeira (Carreira, 2013).

Palavras-chave:Didática do Português Língua Estrangeira (PLE); Ensino da LE; Programas de PLE; Manuais Escolares; Conteúdos Programáticos

 

Abstract: The aim of this article is to raise awareness of some of the issues faced by teachers of Portuguese as a foreign language (PFL) on a daily basis. Based on the experience acquired as a PFL teacher and researcher in the teaching and learning of languages, as well as on the somewhat formal contacts established throughout the years with other teachers and researchers, this study tackles the issues that have generated problems within the context of pedagogical practice (writing of syllabi, printed resources, methodological selection). Such issues, in my opinion, have not been given the necessary attention, especially by the publishing houses. Simultaneously, the study reviews the theoretical and methodological field of Portuguese Didactics, since there has been a significant increase in the interest in the PFL area in recent years. More specifically, the topics discussed include: official programs and references for the teaching of Portuguese as a FL, textbooks (edited in Portugal for the use of teaching and learning of PFL, for example), the adequacy to the proficiency levels of the Common European Framework of Reference for Languages (Council of Europe, 2001) and the linguistic content and the methodological choices of the official textbooks and programs. In order to encourage debate on theoretical and methodological issues, the lines of reflection presented in this study are challenging and provocative, and meant for didactic reflection on the teaching of Portuguese as a Foreign Language. In my opinion, these are still insufficiently researched, such reflection will improve teacher training and the learning of Portuguese, whether in the context of a heritage language, a second language or a foreign language (Carreira, 2013).

Keywords: Portuguese as a foreign language Didactic (PFL); Foreign Language Teaching; PFL Syllabi; Textbooks; syllabi contents.

 

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VII SIELP – Simpósio Internacional de Ensino da Língua Portuguesa

SIELPExtraído do site do simpósio VII SIELP

« Nascido em 2011 no Brasil, no âmbito de um projeto desenvolvido na Universidade Federal de Uberlândia, rapidamente o SIELP – Simpósio Internacional de Ensino da Língua Portuguesa se afirmou como um importante espaço de reflexão e debate sobre a questão do ensino do Português. A regularidade da sua realização, a capacidade de atração de um vasto público interessado e participativo e o envolvimento de um vasto conjunto de investigadores com amplo reconhecimento nessa área são disso a maior evidência.

Assumindo um carácter internacional, o SIELP não se confinou, no entanto, ao espaço brasileiro e, no quadro de relações inter institucionais que se têm vindo progressivamente a fortalecer, rapidamente se estendeu a Portugal, onde em 2013, no Instituto Politécnico de Santarém, e em 2016, na Universidade do Minho, se realizaram, respectivamente, a terceira e a quinta edição deste evento.

Numa perspetiva de afirmação deste Simpósio como evento de referência no campo dos estudos sobre o Ensino da Língua Portuguesa e de consolidação das parcerias que têm possibilitado a sua realização dos dois lados do Atlântico, em 2018, o SIELP, na sua sétima edição, terá novamente lugar em Portugal, numa organização do Centro de Investigação em Educação (CIEd) do Instituto de Educação da Universidade do Minho, instituição com forte tradição na formação de professores de Português e com trabalho de investigação reconhecido no domínio da sua Didática. »

O Simpósio vai decorrer de 16 a 18 de julho na Universidade do Minho em Braga, no qual irei apresentar duas comunicações (uma individual e outra conjunta). No próximo post publicarei o resumo da comunicação individual.

Destaco os conferencistas convidados:

  • João Costa (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa / Secretário de Estado da Educação);
  • Sírio Possenti (Instituto de Estudos da Linguagem – Unicamp);
  • Joaquim Golz (Faculdade de psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Genebra)

Convido-vos a participar.

Link para o programa: Programa Provisório VII SIELP

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As boas práticas de ensino da escrita

finalmente em livro

portada

 

Esta obra procura sintetizar a investigação na área da escrita e do desenvolvimento dessa competência nos estudantes, bem como ilustrar a sua inclusão nas orientações oficiais através da análise dos programas de Francês. Por fim, descreve-se um modelo de prática eficiente de ensino da escrita. Assim sendo, este livro torna-se útil para professores dos vários níveis de ensino que queiram desenvolver as competências de escrita nos seus estudantes de forma eficiente e fundamentada.

Mais informações em: http://www.bubok.pt/livros/7632/AS-BOAS-PRATICAS-DE-ENSINO-DA-ESCRITA

O que os nossos estudantes sabem…

… em reação a um vídeo da revista Sábado amplamente difundido nas redes sociais.

Se é verdade que a escola tem revelado algumas deficiências, estas devem-se em parte, não aos professores, mas a todo um sistema que valoriza metas de sucesso a cumprir, programas disciplinares por vezes desactualizados e pouco estimulantes, um número de alunos por turma excessivo, mudanças paradigmáticas e curriculares a cada governo, obrigatoriedade social de classificar, etc.

Há igualmente uma Educação que é GRATUITA: A QUE TODOS PODEMOS INCUTIR AOS SEUS FILHOS, FAMILIARES.
Ensine-os a respeitar, a não destruir, a não mentir, a não roubar, a ser responsáveis, esforçados, solidários, a terem valores, a não serem violentos e a não se deixarem manipular.

É fundamental lutar por uma EDUCAÇÃO DE QUALIDADE, mas a educação começa em CASA.

Ensine-os a serem curiosos, a valorizarem a leitura, a escrita, a estimulá-los para a cultura em geral (música, pintura, escultura, cinema – e não apenas blockbusters americanos, design, etc.).

Todos devem refletir sobre as suas ações quanto à educação dos mais jovens. É fácil atirar culpas para o outro, sacudir a água do capote. O mea culpa sempre foi doloroso. Por conseguinte, atire a primeira pedra aquele que não teve culpas no que podemos ver; os estudantes inclusive. Cabe-lhes igualmente a eles, enquanto estudantes universitários, (outrora) sinónimo de cultura, de valorizar o conhecimento. Não apenas na área científica em estudo, até porque existem sempre pontos de contacto, sempre influências de / confluências com outras áreas, e sempre, e realço sempre, ligações ao património cultural da humanidade.

Esta é a única maneira de mudar o presente para que tenhamos um futuro melhor.

evoluções no papel do professor

No passado, a educação baseava-se numa pedagogia autoritária, baseada sobre a figura do « professor ditador », detentor de todo o saber. Actualmente, procura-se adoptar uma pedagogia mais flexível, capaz de respeitar o aluno enquanto ser humano, enquanto indivíduo uno e diferente do colega de carteira, respeitando as suas necessidades comunicativas na gestão do processo de ensino.

No passado, o ensino favorecia as noções de Estado, religião e família e o professor era considerado como um templo de saber. Hoje em dia, o professor adquire o papel de gestor do processo de ensino-aprendizagem, com vista a estabelecer a relação entre o aluno e o saber como eixo principal das aprendizagens.

(Nota: Estas afirmações baseiam-se em algo que li há já algum tempo e não me recordo de onde.)

Gave: relatório 2010

Mais uma vez o GAVE divulga um relatório avassalador sobre a capacidade de raciocínio dos estudantes portugueses. Problema transversal aos diversos níveis de ensino analisados. As principais dificuldades dizem respeito a operações complexas de leitura, escrita e até de análise gramatical.

 

Contrariamente ao 9º ano, a leitura e escrita de textos informativos revela-se ser uma das principais dificuldades dos alunos do Ensino Secundário. Resultado que não me surpreende de todo, tendo em conta os dados obtidos e analisados pelos sucessivos relatórios PISA dos anos anteriores e uma investigação por mim desenvolvida (2002/2003), na qual se chegou à conclusão que as actividades de leitura compreendidas nos manuais e as práticas desenvolvidas quer em sala de aula, quer fora dela, não incluíam estratégias de leitura e escrita adequadas para desenvolver competências nos estudantes do Ensino Básico (na altura no 7º ano) relativas aos textos explicativos.

Levanta-se portanto uma questão deveras pertinente. De que servem os vários relatórios já produzidos? Foram divulgados junto dos docentes? Foram organizadas pelo Ministério acções de formação que promovessem práticas diferentes? A meu ver parece-me que ficámos aquém e que continuaremos a produzir relatórios semelhantes.

O relatório completo pode ser consultado na seguinte página Testes Intermédios: Relatório 2010.

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