I Congrès Luso-Espagnol d’Etudes Francophones

Discontinuités et Confluences

des regards critiques dans les études francophones

Université d’Algarve, 10-12 octobre 2007

APPEL À COMMUNICATION

L’APEF (Association Portugaise des Études Françaises) et l’APFUE (Association de Professeurs de Français de l’Université Espagnole) se proposent d’organiser en collaboration le premier Congrès Luso-Espagnol d’Études Francophones qui se tiendra le 10, 11 et 12 octobre 2007 à l’université d’Algarve.

Une telle initiative scientifique vise avant tout la diffusion du français et des études francophones dans les deux pays de l’Europe du sud (le Portugal et l’Espagne) mais aussi l’ouverture de nouvelles voies de collaboration entre les universités espagnoles et les universités portugaises dans ce domaine. Ainsi, ce premier Congrès constituera un espace de rencontre et de réflexion ancré sur le thème Discontinuités et confluences des regards critiques dans les études francophones.

Le modèle d’organisation choisi pour cette première rencontre prévoit la réalisation de deux conférences plénières, de tables rondes et la présentation de communications. Les lignes d’orientation pour la présentation de communications prévues pour 20 minutes sont les suivantes :

I. Langue et Linguistique

1. Le français contemporain : niveaux discursif, syntaxique, morphologique, sémantique, phonologique…

2. Rapports actuels entre le français et les langues ibériques : publications bilingues ou multilingues, lexicographie bilingue ou polyglotte, emprunts lexicaux…

3. Promotion et présence du français dans les pays lusophones et/ou hispanophones, politiques langagières, attitudes envers la langue de l’autre…

II. Littérature et Culture Françaises /Francophones

1. La littérature française et francophone du/des XXe et XXIe siècles

2. Les T.I.C. et la circulation des biens culturels

3. Production et diversité culturelle : langages littéraires, artistiques et scientifiques axés sur l’actualité

III. Didactique du Français Langue Étrangère

1. Idéologie, médias, technologies de l’information et de la communication, le FLE et le Français Langue de spécialité

2. Langage et didactiques interculturels

3. Formation des enseignants : changements et tensions actuelles

IV. Études Comparées

1. Images de la France et des pays francophones à l’aube du XXIe siècle

2. Traduction et réception des biens culturels francophones de l’actualité

3. Espaces luso-espagnols d’échange culturel autour de la France et de la Francophonie

4. Littérature et connaissance du monde : la littérature et les autres arts ; la littérature et les sciences…

Les propositions de communication (300-500 mots) sont à envoyer, avant le 31 mai 2007, à Ana Clara Santos (avsantos@ualg.pt). Le programme sera diffusé à la fin du mois de juillet 2007.

Frais d’inscription

Membres de l’APEF et de l’APFUE avec communication : 30 euros

Membres de l’APEF et de l’APFUE sans communication : 40 euros

Étudiants : 20 euros

Autres : 55 euros


Comité Scientifique

Francisco Lafarga (U. de Barcelone)

Maria Hermínia Laurel (U. d’Aveiro)

Ángeles Sirvent (U. d’Alicante)

Ana Clara Santos (U. d’Algarve)

Manuel Bruña (U. de Séville)

Mª de Jesus Cabral (U. Catholique Portugaise)

José M. Oliver (U. de La Laguna)

José D. de Almeida (U. de Porto)

Comité organisateur

Ana Clara Santos

Ana Alexandra Carvalho

Célio Manuel Conceição

Joaquim Guerra

Zaida Pereira


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Vamos Acabar com as notas

Vamos Acabar com as Notas*

Damos notas a hotéis, a videogames e a tipos de café. Mas faz sentido dar notas a seres humanos como fazem as escolas e nossas universidades? Ninguém dá a Beethoven ou à Quinta Sinfonia uma nota como 6.8, por exemplo.

O que significa dar uma « nota » a um ser humano? Que naquele momento da prova, ele sabia x% de tudo o que os professores gostariam que ele soubesse da matéria. Mas saber « algo » significa alguma coisa hoje em dia? Significa que você criará « algo » no futuro? Que você será capaz de resolver os inúmeros problemas que terá na vida? Que será capaz de resolver os problemas desta nação?

É possível medir a capacidade criativa de um aluno? Quantos alunos tiraram nota zero justamente porque foram criativos ou criativos demais? Por isso, não damos notas a Beethoven nem a Picasso, não há como medir criatividade.
Muitos vão argumentar que o problema é somente aperfeiçoar e melhorar o sistema de notas, que obviamente não é perfeito e as suas falhas precisam ser corrigidas.

Mas e se, em vez disso, abolíssemos o conceito de notas? Na vida real, ninguém nos dará notas a cada prova ou semestre. Você só perceberá que não está sendo promovido, que as pessoas não retornam mais seus telefonemas ou que você não está mais agradando.

Aliás, saber se você está agradando ou não é justamente uma competência que todo mundo deveria aprender para poder ter um mínimo de desconfiômetro. Ou seja, deveríamos ensinar a auto-avaliação. Com os alunos se auto-avaliando, dar notas seria contraproducente. Não ensinamos a técnica de auto-avaliação, tanto é que inúmeros profissionais não estão agradando nem um pouco como professores e, mesmo assim, se acham no direito de dar notas a um aluno.

O sistema de « dar » notas está tão enraizado no nosso sistema educacional que nem percebemos mais suas nefastas conseqüências. Muitos alunos estudam para tirar boas « notas », não para aprender o que é importante na vida. Depois de formados, entram em depressão pois não entendem por que não arrumam um emprego apesar de terem tido excelentes « notas » na faculdade. Foram enganados e induzidos a pensar que o objetivo da educação é passar de ano, tirar nota 5 ou 7, o mínimo necessário.

Ninguém estuda mais pelo amor ao estudo, mas pelas cenouras que colocamos na sua frente. Ou seja, as « notas » de fim de ano. Educamos pelo método da pressão e punição. Quando adultos, esses jovens continuarão no mesmo padrão. Só trabalharão pelo salário, não pela profissão.

Se o seu filho não quer estudar, não o force. Simplesmente corte a mesada e o obrigue a trabalhar. Ele logo descobrirá que só sabe ser menino de recados. Depois de dois anos no batente ele terá uma enorme vontade de estudar. Não para obter notas boas, mas para ter uma boa profissão.

Robert M. Pirsig, o autor do livro Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas, testou essa idéia em sala de aula e, para sua surpresa, os alunos que mais reclamaram foram os do fundão. São os piores alunos que querem notas e provas de fim de ano. Os melhores alunos já sabem que passaram de ano, muitos nem se dão ao trabalho de buscar o diploma.

Sem notas, os piores alunos seriam obrigados a estudar, não poderiam mais colar nas provas e se auto-enganar. Provas não provam nada, o desempenho futuro na vida é que é o teste final.

Imaginem um sistema geral de auto-avaliação em que os alunos não mais estudariam para as provas, mas estudariam para ser úteis na vida. Imaginem um sistema educacional em que a maioria dos alunos não esqueceria tudo o que aprendeu no 1º ano, mas, pelo contrário, se lembraria de tudo o que é necessário para sempre.

Criaríamos um sistema educacional em que o aluno descobriria que não é o professor que tem de dar notas, é o próprio aluno. Todo mês, todo dia, todo semestre, pelo resto de sua vida.

*Stephen Kanitz é administrador por Harvard (www.kanitz.com.br)
Editora Abril, Revista Veja, edição 1955, ano 39, nº 18, 10 de Maio de 2006, página 36

[Lido e visto inicialmente noutro blog do qual não me recordo o link. Por este motivo peço desde já desculpa se alguém se sentir ofendido. Caso o desejem, peçam que retiro imediatamente.]

Revista de 2006

Vejam a edição de 29 de Dez. da Educare TV para uma revista das medidas e alterações a nível educativo em Portugal.

MANIFESTO

Numa altura em que tanto se discute a educação, o lugar do ensino das línguas e das humanidades. Numa altura em que se discute ainda o ECD e se preparam ECDU e renovações nas universidades e politécnicos…
… decidi começar este ano novo com o manifesto que abriu o blog. Aguardo os vossos comentários.


MANIFESTO


Em Portugal, o ensino de línguas, quer LM quer LE, atravessa uma crise que infelizmente se arrasta há muito tempo. Professores, pais, sociedade civil e investigadores concordam na constatação de fracas competências na LM (oral e escrita), nos baixos níveis de literacia que atravessam as populações estudantis e que se reflectem depois na vida activa: mão-de-obra pouco qualificada, ainda que tenham concluído a escolaridade obrigatória ou inclusive o ensino secundário.

Várias são as razões dos baixos níveis de literacia, que não se medem exclusivamente na LM, pois na sociedade actual, é imperioso o conhecimento de pelo menos duas línguas estrangeiras, de preferência europeias, se quisermos desenvolver uma sociedade competitiva cultural e economicamente (e desculpem-me os puritanos por juntar dois conceitos que, parece, se deveriam excluir).

Não me deterei aqui nas razões. Aponto, antes, aqui algumas soluções. Procurarei desenvolvê-las de forma regular, esperando que reagem, critiquem, opinem, etc. “Postem” sempre que quiserem.

As minhas hipóteses de resolução de alguns dos problemas:

  1. Redução do número de alunos nas aulas de línguas (LM e LE), constituindo o número 15 como referência e não a média actual (entre 25 a 30 alunos).
  2. Colocação de professores mediante concurso no qual o critério da graduação (nota de licenciatura + anos de serviço) se deve associar às habilitações pós-graduadas (com aproveitamento), na área curricular do concurso, e a um exame ou outro mecanismo que teste as competências pedagógicas e científicas regularmente (5 em 5 anos, por exemplo).
  3. Redução do número de turmas por docente (máximo de três).
  4. Colocação de professores cooperantes (1 por cada 3 turmas de línguas específicas) em todas as escolas que trabalhem em estreita ligação (i) com o docente da turma, quer na sala de aula, quer na preparação das sequências de aprendizagem; (ii) com os alunos em atendimentos de apoio à aprendizagem e no desenvolvimento de estratégias diferenciadas. Este docente poderia ser seleccionado de entre aqueles que não preenchessem os requisitos do ponto 2, contando o período de colocação como cooperante para a sua formação e entrada no sistema como responsáveis efectivos por turmas.
  5. Exames escritos e orais, que versem sobre língua e cultura, aos alunos do 9º e 12º ano e não apenas o exame escrito existente actualmente que reduz drasticamente as competências leccionadas nas aulas.
  6. Criação de programas para o 3º ciclo associados aos documentos das competências essenciais e ao quadro europeu comum de referência que permitam alguma flexibilidade na sua progressão (acabar com a divisão por ano escolar) e na sua contextualização local (escola/turma).
  7. Ligação da escola à sociedade civil, desde o 3º ciclo do EB (7º ano), com promoção da utilidade de conhecimento em LE nas empresas, nos organismos públicos, etc.
  8. Abolição dos manuais escolares tais como os conhecemos, principalmente aqueles que formatam e condicionam as actividades lectivas. Em meu entender, independentemente da língua, o manual escolar devia ser um compêndio de textos, intimamente ligados a factos culturais (mundanos e eruditos) aos quais estivessem ligados vários outros tipos de cadernos de actividades (leitura, escrita, falar/ouvir, funcionamento da língua, etc.), organizados por níveis de competências (os do quadro europeu). Consideramos que deste modo se alargaria a autonomia e competência do docente por (i) não sentir o seu trabalho “facilitado” em termos de planeamento da sua intervenção pedagógica; (ii) permitir uma adaptação de competências/conteúdos à realidade turma/aluno; (iii) obrigar a uma maior reflexão na organização das unidades lectivas.
  9. Descentralização de competências do ME para as Direcções Gerais (ou preferencialmente outro organismo, menos pesado burocrática e financeiramente, menos distante da escola e da realidade escolar, isto é, com circunscrições mais pequenas, com órgãos eleitos pela comunidade escolar, etc.) a nível: da gestão financeira (assegurando a tutela dotações adequadas), da contratação de docentes, da organização dos espaços, etc. Em alternativa, o “Concelho Regional de Educação” (por exemplo) poderia possuir uma gestão tripartida: um representante do ME, um representante da comunidade escolar e um representante da sociedade civil, com poderes idênticos, cujas decisões resultariam da consulta e aprovação de uma pequena assembleia de representantes (10 elementos, por exemplo).
  10. As escolas necessitam de uma efectiva autonomia de decisão, não tendo de recorrer sempre às DRE, por tudo e por nada… um exemplo: as escolas não têm real autonomia na definição de número de alunos por turma. Ridículo, não é?



Alguns dos pontos mencionados poderão provocar alguma celeuma, mas de que servem os consensos se não para continuarmos com o status quo? A polémica obriga à reflexão e, consequentemente, a uma evolução, se não nacional, pelo menos local, no trabalho diário com os nossos alunos.

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